Sementes a granel: chia, girassol e abóbora — qual é para quê
As sementes são a parte da despensa onde as pessoas mais compram por hábito e menos por escolha. Compra-se chia porque se ouviu falar dela, girassol porque é barato, abóbora porque estava ali ao lado. Depois ficam as três no armário e usa-se sempre a mesma.
Este artigo é para desfazer isso. O que cada uma faz melhor, quanto se usa, como se guarda — e porque é que ao quilo, a granel, a conta muda por completo.
Primeiro, o nome: pevide é semente de abóbora
Começamos por aqui porque é a confusão mais comum ao balcão.
Pevide é o nome português da semente de abóbora. É a mesma coisa. Quando vê «miolo de pevide», está a ver semente de abóbora já sem a casca branca — que é a forma como quase toda a gente a quer usar, porque a casca é dura e não se come bem.
O mesmo se passa com o girassol: «miolo de girassol» é a semente de girassol descascada, o grão cinzento-esverdeado que se põe no pão e na salada. A semente com a casca preta e branca às riscas é a de petisco, para descascar à mão.
Se veio aqui parar à procura de «sementes de abóbora» ou «sementes de girassol», é isto mesmo que procura.
Chia: a que serve para engrossar
A chia é a mais pequena das três e a única que faz uma coisa que as outras não fazem: em contacto com líquido, forma um gel à volta de cada grão. É por isso que aparece em pudins e em iogurtes, e é por isso que não faz sentido comê-la a seco às colheradas.
Como se usa, na prática:
- Pudim de chia — 3 colheres de sopa para 200 ml de leite ou bebida vegetal. Mexer,
esperar 20 minutos, mexer outra vez (senão fica tudo num bloco no fundo) e deixar no frigorífico. Fica pronto de um dia para o outro.
- No iogurte ou nos flocos de aveia — 1 colher de sopa, mexida na hora.
- Em bolos e pão — substitui parte do ovo em receitas vegan: 1 colher de sopa de chia
para 3 de água, deixar 10 minutos.
A chia não tem sabor praticamente nenhum. Isso é uma vantagem: não estraga nada onde se meta. Também quer dizer que ninguém a come pelo gosto.
Girassol: a de todos os dias
O miolo de girassol é a semente que se usa sem pensar. Sabor suave, a lembrar noz, e é a mais barata das três por uma boa margem — é o que a torna prática para usar todos os dias em vez de guardar para as ocasiões.
- Na salada — crua, atirada por cima no fim.
- No pão e nas massas de bolo — aguenta bem o forno.
- Tostada na frigideira — cerca de 4 minutos em lume médio, a mexer sempre, sem
gordura nenhuma, até ficarem douradas e começarem a cheirar. Muda completamente de sabor: é o truque que vale mais a pena de todos. Deixe arrefecer por completo antes de guardar, senão o vapor fica fechado no frasco.
Pevide (abóbora): a que se nota
O miolo de pevide é maior, verde e tem mastigadura — nota-se no prato, ao contrário do girassol, que desaparece. É a que se usa quando se quer que a semente conte como ingrediente e não como decoração.
- Em cima de sopas e cremes, tostada.
- Em granolas caseiras e barras.
- À mão, como petisco — é das poucas que se come sozinha sem ficar enjoativa.
Quanto se usa por dia?
Não há uma regra oficial só para sementes, mas a conta prática é simples: uma a duas colheres de sopa por dia, o que dá 15 a 30 gramas — mais ou menos o que cabe na mão fechada. É o suficiente para somar ao que já se come, sem transformar a refeição.
Há um cuidado que só se aplica à chia: como ela absorve líquido e incha, deve ser comida hidratada — no iogurte, no pudim, na papa, ou pelo menos com um copo de água ao lado. Às colheradas a seco é que não.
É a mesma ordem de grandeza da porção de frutos secos, cerca de 30 gramas por dia, de que falámos com detalhe no artigo Quantos frutos secos comer por dia.
Como guardar (a parte que quase toda a gente faz mal)
Sementes têm gordura, e gordura estraga-se com a luz, com o ar e com o calor. O sinal é o cheiro: uma semente rançosa cheira a tinta velha, e não se aproveita.
O inimigo número um é a luz. É o erro mais comum — o frasco bonito em cima da bancada, ao pé da janela, é o pior sítio da cozinha para guardar sementes.
- Ao abrigo da luz. Dentro do armário, não à vista. Se usar frasco de vidro
transparente, guarde-o fechado no armário.
- Bem fechado. Frasco hermético ou o próprio saco bem fechado — a seguir à luz, o
inimigo é o ar.
- Longe do calor. Não por cima do forno nem ao lado do fogão.
- Não precisam de frigorífico. Uma despensa fresca e escura chega perfeitamente.
- Tirar a porção e voltar a fechar, em vez de deixar o saco aberto em cima da bancada.
É uma diferença face aos frutos secos, de que falámos no artigo Como conservar frutos secos: nas sementes o que manda mesmo é ficarem no escuro.
Porque é que a granel sai melhor
Uma semente é um ingrediente que se usa às colheres, não às embalagens. Quem compra saquetas de 100 ou 200 gramas está a pagar, de cada vez, uma boa parte do preço em embalagem — e depois ainda tem de voltar a comprar dali a duas semanas.
A granel escolhe-se a quantidade. Quem usa chia todos os dias leva um quilo e fica servido meses; quem só quer experimentar leva 250 gramas e não fica com meio armário ocupado por uma coisa de que não gostou.
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Este artigo é informação geral sobre alimentação e não substitui o aconselhamento de um profissional de saúde.